We have teams ready to bring this program to any Richmond jurisdiction.
Diálogo entre Líderes em Pujehun, Sul de Serra Leoa, 14 a 16 de Novembro de 2008
Parlamentares, Prefeitos, Conselheiros e Líderes Tradicionais promovem diálogo em Pujehun, Sul de Serra Leoa, de 14 a 16 de Novembro de 2008.
'Curando Feridas, Estabelecendo Confiança, Seguindo Adiante Juntos'
O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), em parceria com o Esperança Serra Leoa, uma organização não-governamental afiliada a Iniciativas de Mudança (IM) Internacional, concluiu com êxito a sexta de uma série de oito diálogos nacionais entre parlamentares em Pujehun. Esta área sofreu violência antes das eleições em Agosto de 2007, durante a qual muitos lares foram destruídos.
Comandante da Unidade Local, Supt. J.I. Gbonah e Hon. Chefe Paramount Gbondo no diálogo. (Foto: John Bangura)O diálogo teve o objetivo de promover tolerância política, reconciliação e perdão, e estabelecer coesão nacional por paz sustentável e desenvolvimento no país. Facilitadores do programa Bases Morais para Democracia (MFD) de Esperança Serra Leoa manteve o diálogo interativo durante o processo. Houve participantes da Polícia de Serra Leoa (SLP), Forças Armadas da República de Serra Leoa (RSLAF) e movimentos da Sociedade Civil. O programa MFD foi desenvolvido em resposta às tensões infiltradas e a falta de cooperação que existia entre a Polícia e as Forças Armadas, e o medo de membros da sociedade civil. Durante os últimos quatro anos, os cursos e diálogos de MFD contribuíram significativamente na redução da desconfiança e suspeita entre os três partidos.
Durante a sessão de abertura, Hon. Eric Jumu, parlamentar (Partido da Oposição, SLPP) disse: 'O diálogo é um forte apoio de paz, tolerância política e mudança de atitude'. Ele ainda enfatizou a indulgência dos participantes na disseminação de mensagens de perdão, tolerância, paz e reconciliação a seu povo.
Hon. Mahamed Kanu, parlamentar, (Partido do Governo, APC) descreveu o diálogo como 'significativo'. 'Irá promover a visão e a aspiração do governo em fortalecer uma ambientação para a paz, democracia e boa governança para os cidadãos do país'. Ele ecoou o apelo do Presidente por uma mudança de atitude e de comportamento.
Hon. Kanu expôs sua satisfação de estar em Pujehun pela primeira vez, complementando que defenderia que o governo faça mais para ajudar no desenvolvimento de Pujehun, reconhecido como um dos distritos menos desenvolvidos no país. Hon. Chefe Paramount Mohamed Dhaffie Benya traçou a história dos líderes desde os tempos pós-coloniais em termos de governança, adicionando que os chefes tiveram o mandato constitucional de exercer o absoluto controle sobre seus assuntos. Ele apelou aos participantes que tivessem respeito por seus chefes e serem tolerantes uns com os outros independente de diferenças políticas.
Hon. Malcolm Bannister, parlamentar (Partido da Oposição, PMDC) lamentou que durante as eleições presidenciais e parlamentares passadas, chefes paramounts estiveram profundamente envolvidos na política. Ele lembrou aos chefes que pouco têm a ver com a política e que evitassem intimidar seus assuntos contra uma candidatura ou um partido em particular. Ele disse que os chefes devem ter o papel de 'pais', mostrando respeito e dando tratamento igual a todos.
Durante a primeira sessão tanto facilitadores quanto participantes se apresentaram, e uma vela acesa foi colocada no centro da sala. Os participantes foram convidados a juntar pequenas pedras fora da sala e colocá-las numa cesta. Esta ação simbolizou colocar de lado suas amarguras pessoais e começar o diálogo com a mente aberta. A vela representava o amor, a paz e um futuro mais brilhante. O principal facilitador, Insp. Sulaiman Sesay, apresentou os tópicos que seriam cobertos durante o diálogo: identidade, corrupção, busca de valores, conflito, mudança e trabalho de equipe.
Participantes escutam atentos a um facilitador durante a sessão R&D (Foto: John Bangura)Cada manhã, das 8h15 às 9h, o diálogo começava com uma sessão chamada 'Reflexão e Decisão' (R&D). O facilitador primeiro contava uma história que seria a base para uma reflexão honesta. Os participantes então sentavam em grupos de seis para refletir em questões pessoais, e compartilhar suas experiências. Surgiram muitos testemunhos, alguns pessoais, outros interpessoais.
Um dos conselheiros em Pujehun, Patrick Alpha, expressou sua amargura sobre a atitude de alguns grupos de pessoas do partido da ocasião que pintaram a sede do governo de vermelho (a cor do APC) sob a orientação do Prefeito do Sul, Sheik Sillah, do APC. De acordo com o conselheiro, a pintura da sede de governo foi errada já que pertence ao povo de Pujehun e não a um partido em particular. Ele enfatizou que esta questão precisava ser encarada imediatamente, de outra forma levaria ao caos.
Uma ativista civil proeminente compartilhou o longo ressentimento contra sua sobrinha que teve um relacionamento com seu marido. Esta situação levou ao fim de seu casamento. Ela estava particularmente tocada pelo testemunho de uma conselheira que foi torturada e molestada nas mãos de uma milícia, os Kamajors, mas corajosamente estendeu um galho de oliva (símbolo de paz) e sinceramente perdoou-os. Porém Deus tornou possível àquela tia ao final perdoar, já que depois ela entrou em contato com sua sobrinha. Este espírito de perdão e reconciliação caracterizou todo o diálogo.
Insp. Sulaiman Sesay refinou o apetite dos participantes através da apresentação de uma pequena cena teatral sobre 'identidade', tópico depois tocado por Annette Bongay. O assunto teve intenção de expor os desafios ou problemas associados com a identidade e como a identidade de alguém pode ser frágil.
Mais frequentemente pessoas identificam uns aos outros por nome, ocupação, nacionalidade, tribo e religião. Foram mencionadas instâncias tangíveis quando a identidade de alguém poderia estar em perigo.
O tema 'Conflito' foi apresentado por Lt. Sallieu Sankoh. Durante esta sessão, participantes examinaram o significado do conflito, tanto intra como interpessoal. Conflito foi também considerado como de efeito negativo e positivo. Quando um conflito leva a mudança nas atitudes das pessoas, pode tornar-se positivo; ao contrário, um conflito caracterizado pela destruição, terá sido negativo.
'Corrupção' foi um tópico que atraiu a atenção de todos os participantes. Foi apresentado por Mahmoud Kargbo que definiu corrupção como 'o uso do ofício público para benefício particular'. Através dos anos, a corrupção tem permeado a teia da sociedade e tem, em maior extensão, abortado o desenvolvimento do país. O tópico objetivou a exposição de práticas corruptas e a busca por um caminho honesto fora do câncer da corrupção.
Pobreza, egoísmo, ganância e baixos salários foram identificados como causas da corrupção. Muitos dos trabalhadores do governo são mal-pagos e então embarcam em práticas corruptas para enriquecerem sozinhos. Em essência, para que a corrupção seja minimizada, os participantes concordaram que o governo deveria aumentar os salários da sociedade civil e ainda fortalecer a Comissão Anti-Corrupção (ACC) a investigar e processar pessoas na sociedade. O ACC não deveria ser visto como um cão ladrante; deveria morder todos os responsáveis sem medo ou piedade.
'Busca por valores' foi apresentado por Rashid Fodie. Durante esta sessão, os participantes deliberaram sobre os quatro valores centrais de amor, honestidade, pureza e altruísmo. Ao final desta sessão, uma 'casa de valores', refletindo nos quatro valores centrais, foi desenhada por todos os participantes. Eles se comprometeram a replicar esses valores em seus lares e locais de trabalho.
Exercício de Trabalho em Equipe (Foto: John Bangura)Os últimos dois tópicos, 'Mudança' e 'Trabalho em Equipe e Estabelecendo Confiança' foram apresentados por Mahamoud Kargbo. Durante uma sessão plenária, os participantes olharam para a mudança como uma iniciativa de uma pessoa, e a necessidade que comece consigo mesmo. Não se pode conversar sobre mudança honestamente se você não está praticando. O facilitador encorajou que os membros do parlamento fossem agentes de mudança em suas respectivas constituições. 'Trabalho de equipe e Estabelecendo Confiança' inspirou os participantes a desenvolver confiança uns nos outros e, sobre tudo, a trabalhar como um time. Um exercício com os olhos vendados foi conduzido de forma a fortalecer o espírito de confiança em cada um.
Durante a cerimônia de encerramento, um vaso com flores foi colocado sobre a mesa para que todos pudessem ver. O facilitador, Lt. Sankoh, explicou que escondido em meios às flores estavam as pedras, folhas de grama morta, pedaços de vidro e pano sujo. As pedras poderiam significar um desejo forte ou um coração sem perdão e o pano sujo poderia simbolizar sentimentos ruins sobre outros. Este e outros detalhes do cenário deixaram muitos a ponderar sobre a beleza das flores ainda que contivesse elementos negativos e de más ações.
Os participantes puderam relacionar as flores consigo mesmos em temos de suas atitudes e relacionamentos com os outros nas situações da vida real. Sam Macarthy compartilhou que nutriu muita mágoa por alguns companheiros parlamentares que o traíram em um projeto específico que ele convidou a implementar. A ele foi evocada a coragem de perdoá-los pelos maus feitos. Outros compartilharam suas decisões de perdoar e reconciliar sob os interesses de paz sustentável no país.
O fundador do Esperança Serra Leoa, John Bangura, relembrou os parlamentares sobre seus papéis e responsabilidades com as massas. Ele referiu-se a um popular álbum musical nigeriano com o título 'E bi like say', de 2-face Idiba, que foi ouvido. É uma sátira sobre os políticos que abandonam seu povo depois de ganhar as eleições e só retornam a ele quando precisam de seus votos. As canções também expõem os políticos que fazem maratonas de protestos que tentam deliberadamente confundir o eleitorado. Ele falou que Deus os julgará se falharem no cumprimento de suas promessas.
Sr. Bangura também mencionou outra canção do mesmo artista com o nome 'As you see me so' que prega paz e bons relacionamentos com o próximo. Ele aconselhou que cada um colocasse os interesses do país em primeiro lugar. Ele disse que os serra-leoneses não deveriam perguntar 'O que tem o país feito por mim?'. Mas ao contrário, perguntar a si mesmos 'O que eu fiz por Mama Serra Leoa?'. Ele recomendou que os parlamentares e os chefes paramounts mostrassem um elevado nível de tolerância política em Pujehun, complementando que o mesmo espírito continue no nível do parlamento e da constituição.
Todos os parlamentares prometeram trabalhar pelos interesses do país independente de suas diferenças políticas. Ainda, apelaram que o Esperança Serra Leoa e o UNDP utilizassem os diálogos em lideranças em todas as partes do país.
Relatado por Patrick Jakema
- Login or register to post comments
- English
- Printer-friendly version
- Send to friend

