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EX-MILITANTES DAS ILHAS SALOMÃO SE COMPROMETEM A TRABALHAR PELA PAZ
Um grupo de 28 ex-comandantes do Movimento Libertário Isatabu (IFM) participou de um curso sobre paz e construção de comunidades organizado por ‘Asas da Mudança’, o grupo de Iniciativas de Mudança nas Ilhas Salomão.
![]() (Da esquerda para direita) Francis Kennedy, Patrick Qotso, Leone Laku Koio
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O grupo incluiu 4 comandantes veteranos, Joseph Sangu, Leone Laku Koio, Charles Vangere e Patrick Qotso, representando quatro regiões da Província de Guadalcanal. Foi a primeira vez que o grupo se uniu desde o Acordo de Paz de Townsville em 2000. Muitos dos ex-combatentes estavam com medo de vir tão perto da capital, Honiara, em caso de encontrar antigos inimigos. Então o curso aconteceu numa pequena cidade há cerca de 30km de Honiara, a qual foi usada como uma das bases de IFM durante os conflitos.
![]() Vida na província
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De 1998 até 2003, quando a Austrália enviou tropas para acalmar a situação, as Ilhas Salomão sofreram um período de violência e descontrole com muitos assassinatos e milhares de desabrigados. Muitos dos conflitos ocorreram na Ilha de Guadalcanal entre as Forças Guale de IFM e pessoas de Malaita. Quando alguns militantes Guale, incluindo o notório Harold Keke, recusou-se a assinar o Acordo de Paz de Townsville, o IFM começou a fragmentar-se para depois entrar em conflito entre grupos Guale. Eram essas feridas infligidas por Guales sobre Guales que o curso pretendeu curar.
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Inicialmente o grupo estava tenso, muitos sentimentos de que não iria funcionar. Dedos foram apontados. ‘Você matou meu irmão’, ‘Você incendiou a cidade de meu primo!’. Mas tensões deram espaço à consciência de que todos foram vítimas e responsáveis e ‘a mudança deveria começar conosco mesmo’. Ao final da semana, os homens estavam comprometidos a voltar para suas cidades e trabalhar por reconciliação.
Stephen Panga, Chefe de Estado da Província de Guadalcanal, na cerimônia de abertura
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Muitos dos homens se sentiram marginalizados pela nova ordem política nas Ilhas Salomão. O curso pretendeu encorajá-los a ter uma parte ativa ao lidar com problemas em suas comunidades através de meios não-violentos. Os temas incluíram vida familiar e relacionamentos, construção de comunidades, trabalho em equipe, liderança e transformação de conflitos. Três pessoas de IM Austrália se juntaram para facilitar o curso. O evento recebeu apoio financeiro do Ministro de Reconciliação e do governo da província de Guadalcanal. O Chefe de Estado, Sr. Stephen Panga, compareceu à cerimônia de abertura, ao lado de representantes do Ministério da Reconciliação.
Joseph Sangu, um dos ex-comandantes supremos e um dos irmãos de Harold Keke, disse ‘Nossos olhos estão abertos agora pela sabedoria dada a nós pelos facilitadores desta oficina. Nunca devemos apontar dedos. Precisamos de cada um envolvido no processo de reconciliação’. Patrick Qotso complementou: ‘somos vítimas e responsáveis, conseqüentemente reconciliação deve começar em meio às famílias, comunidades, províncias envolvidas e finalmente com a nação’.
![]() Leone Laku Koio (à esquerda) e Francis Kennedy
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Leone Laku Koio, um dos mais altos administradores do IFM durante os conflitos, disse: ‘Notamos que a verdadeira reconciliação precisa de pessoas como nós que estivemos ativamente envolvidos na desordem e nas vítimas... não podemos esperar até que nossos líderes se reconciliem com outros lideres. O problema foi nosso e somente nós mesmos podemos resolver porque sabemos como’.
A reconciliação é uma grande prioridade para o novo governo de Derek Sikua, e as Ilhas Salomão é um dos poucos países no mundo a ter um Ministério de Reconciliação em específico. Uma cerimônia de reconciliação maior foi planejada para ocorrer nos próximos meses com muitos dos ex-combatentes encorajados a participar. No entanto, como resultado da oficina, os homens enviaram uma mensagem clara ao governo a qual dizia que eles não participariam porque primeiramente precisavam fazer um trabalho de base sobre reconciliação em suas comunidades. Homem a homem, cada um jurou fazer este trabalho, pedindo por apoio da equipe de Asas da Mudança e de IM. Sob sua solicitação, o Chefe de Estado da Província de Guadalcanal fez uma segunda viagem à cidade para falar aos ex-combatentes, permanecendo até após meia-noite para elaborar planos e um orçamento preliminar para este trabalho comunitário de base.





